Ivete e Jennifer

Nem a chuva abalou a festa das divas Jennifer Lopez e Ivete Sangalo



À primeira vista, a chuva tinha grandes chances de assumir o papel de protagonista na noite desse domingo (1º). Mas, quando se trata de Jennifer Lopez e Ivete Sangalo, não há tempestade que acabe com o brilho de verdadeiros espetáculos. Atrasos e falta de estrutura também têm o poder de acabar com um momento que deveria ser marcante. Porém, outra vez, quando se trata de J. Lo e Ivete, grandes defeitos se tornam irrelevantes detalhes.


Nesta primeira edição do Arte Music Festival, na área externa do Centro de Convenções de Pernambuco (Cecon), os fãs usaram uniforme padrão: capas e guarda-chuvas. E, se a chuva tivesse dado um aviso, o par de galochas para sobreviver aos alagamentos cairia perfeitamente.


Com quase uma hora de atraso, por volta das 20h40, Ivete Sangalo subiu ao palco. Todo o aborrecimento com chuva e atrasos pareceu evaporar da mente de cada fã. No momento em que a baiana desceu a escadaria gritando enfaticamente "Eu sou pernambucana!", o público perdoou. Até a chuva deixou passar o 'pequeno' atraso da baiana e deu uma trégua.


Como sempre, Ivete conquistou com sua simpatia. A cada música, os fãs - tímidos ou morrendo de frio - ensaiavam passinhos e estendiam as mãos lá em cima, bem do jeitinho que a baiana pedia. No repertório, hits como "Brasileiro", "Acelera Aê" e "Cadê Dalila". A essa hora, ninguém mais sabia o que era chuva.


O público se mostrou fiel quando entoou os versos da música "Flores", sucesso da época em que Ivete foi vocalista da Banda Eva, nos anos 90. Para encerrar o momento romântico, coreografias improvisadas em "Desejo de Amar". Solidária com seu público cativo, a baiana se jogou na chuva e disse com fé: "Se é debaixo de chuva, eu vou!".


A musa do axé jogou na apresentação os sucessos "Levada Louca", "Tô na Rua", "Berimbau Metalizado" e "Na Base do Beijo". Os clássicos também não ficaram de fora, como "Empurra-Empurra", "Abalou", "Festa" e "Poeira" (com direito a versinho do funk: Dói um tapinha, não dói). Aqueles que ainda não estavam animados, se soltaram quando abriram os corações - sem ser piegas - e mostraram que só querem mesmo é amar, com "Não Quero Dinheiro", de Tim Maia.


Ivete Sangalo terminou o show com "Arerê", "País Tropical" e "Easy" (tocada no piano). Ela aproveitou os intervalos para perguntar aos fãs o que eles estavam achando sobre sua interpretação de Maria Machadão no remake de Gabriela. Também não perdeu a oportunidade de brincar sobre sua amizade com J. Lo. "A bicha é gostosa viu?! E gente boa! Se eu chamar pra comer um bode, ela vai... J. Lo é minha prima rapaz, de terceiro grau. Vocês vão ver que ela é igualzinha, com aquele corpão".


A partir daí, mais um grande atraso. Tem status de estrela quem pode, e, por isso, Jennifer Lopez fez os fãs esperarem mais de uma hora. A demora foi tanta que muitos recorreram a vaias, numa tentativa frustrada de apressar a diva latina. Por volta das 23h20, a cantora de 42 anos apareceu no palco, para a imensa alegria dos fãs encharcados.


O show em terras pernambucanas, que encerra a turnê de J. Lo no Brasil, foi pra lá de diferente. A começar pela chuva, que resolveu assistir à apresentação da diva pop e - ao contrário do show de Ivete - não cessou nem um minuto sequer. Um público entusiasmado e boquiaberto assistiu à apresentação performática de "Get Right". Com um conjunto de calça e top brilhante prateado, ela se apresentou gritando um sonoro "Recifeee". Como se não bastasse, aproveitou a graça pra desfilar com uma sombrinha de frevo pelo palco.




Contrariando impressões, J. Lo mostrou que é simples, esforçada e simpática. Na segunda música do repertório, "I'm Real", dispensou os dançarinos e se sentou na beirada do palco, onde interagiu com a plateia. "Jenny From The Block" foi outra música escolhida para refrescar a memória do público entusiasmado. Até os guarda-chuvas pareceram entrar na dança da trupe de J. Lo.


Sempre empenhada em se comunicar, dialogou com os fãs tanto em espanhol como em inglês, aproveitando para comentar o quanto gostava de cantar sobre amor e como estava feliz em se apresentar no Recife.


Apesar de perfeitamente orquestrado, o setlist sofreu um grande corte. O porquê ficou sem resposta. Grandes sucessos de sua carreira, como "Love Don't Cost a Thing" e "Waiting For Tonight" ficaram de fora. Outras canções que poderiam ter animado ainda mais o espetáculo da cantora foram também drasticamente cortadas, a exemplo de "I'm Into You" (destaque do seu novo álbum, Love?) e "Do It Well".


A grande prova da noite para os céticos de plantão veio com a versão acústica de "If You Had My Love". J. Lo investiu em uma performance mais sensual, com um longo vermelho que deixava suas pernas à mostra. Aparentemente, a cantora não recorreu - pelo menos não muito - ao uso do playback e emocionou os fãs. Rebatendo às críticas, uma banda apareceu na apresentação recifense.


O bloco romântico atingiu um dos pontos altos quando ela engatou no espanhol e cantou "Que Hiciste" (do álbum Como Ama Una Mujer). Momento ainda mais especial quando J. Lo dedicou a música "Until It Beats No More" ao público. Durante a performance, o telão por trás da cantora mostrou imagens dos dois filhos.


Após outra troca de roupas, J. Lo reapareceu com um microvestido vermelho e preto. Chegou a ensaiar uns toques tímidos no atabaque, mas, em compensação, arrasou em uma coreografia aos moldes de Moulin Rouge na performance de "Lets Get Loud". Nesse momento, vale salientar, não havia mais como escapar da chuva e Jennifer Lopez, assim como seus fãs, já estava ensopada.


Assim como nas apresentações anteriores, Jennifer fez uma pausa para arriscar uns passos de samba, mas fez questão de frizar "Não sou boa nisso". O público, pelo contrário, adorou.


A parte final do show foi dedicada às músicas promovidas pela sua turnê, Dance Again. A plateia, que àquela hora já parecia um pouco desanimada, voltou a sacudir a área externa do Cecon com o espetáculo armado para "Papi", música em parceria com Pitbull. A festa se deu por completa com "On The Floor" (mais outra participação de sucesso do Pitbull). Nessa última, J. Lo entoou em português os versos em português "Chorando se Foi...", canção memorável dos tempos de lambada, do grupo Kaoma.


O que já é certo em todas as apresentações musicais em espetáculo de diva ganha gosto diferente. O bis de Jennifer Lopez - para aqueles que sustentaram até o último segundo - não poderia ser algo menor que fenomenal. A estrela voltou ao palco pela última vez com um macacão brilhante - aquele que tanto valoriza suas curvas - e detonou em "Dance Again", sua atual música de mercado. Número final que a cantora fez questão de dançar ao lado do namorado Casper Smart.




Partindo da premissa dos versos contidos em Dance Again, J. Lo mostrou na curta apresentação de 1h20 que o importante é: "Amar e dançar. Amar e dançar novamente".


E-MUSIC - O grupo Dexterz foi o único pontual da noite. Assim que os aparatos da banda de J. Lo foram retirados, o trio subiu ao palco cerca de quinze minutos depois.


A banda, formada pelo DJ Júlio Torres, o baterista Junior Lima e o violonista Amon Lima tocou para um público guerreiro e pequeno, que aguentou até o fim da festa. A apresentação ousada, com novas versões para músicas estouradas nas rádios e em festas, durou cerca de quarenta minutos.


Fonte: NE10

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