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Isis Valverde teve ajuda de Ivete Sangalo em ‘O canto da Sereia’


Com os braços, as costas e o colo completamente vermelhos por conta do sangue cenográfico usado na sequência da morte de sua nova personagem — gravada no último domingo —, Isis Valverde pede 30 minutos para tomar um banho. Já passa das 19h quando ela volta para a entrevista. Os cabelos, agora cacheados e na altura da cintura, estão molhados. Usando um curtíssimo short jeans combinado com uma bata branca, ela se acomoda com os pés para cima da cadeira no hotel onde se hospedada desde o dia 23 de outubro para gravar a microssérie “O canto da Sereia”, em Salvador. 

Fora de cena, o sotaque mineiro e a fala pausada denunciam que ali não há mais resquício de Suelen, a periguete de caráter duvidoso que todos aprenderam a amar em “Avenida Brasil”. Agora, diante das câmeras, é o baianês que predomina. Durante aquele dia, que começou cedo, Isis foi Sereia. Cantora de axé mais famosa da Bahia, a protagonista da microssérie de quatro capítulos, programada para janeiro pela Globo, levou a atriz para o alto do trio elétrico. 

Envolvida há meses com o projeto, Isis fez aula de prosódia, de canto e de corpo, ainda durante as gravações de “Avenida Brasil”, para interpretar Sereia. E contou com o auxílio de Ivete Sangalo em sua composição. Apesar de garantir que a personagem não foi inspirada em nenhuma musa do axé em particular.

 — Ivete foi essencial. Eu tinha uma dúvida e ligava. Ela me contou os segredos da profissão e tive uma melhor ideia deste universo. No trio, o circo é das cantoras. Eu, que não sou uma, tive que me ligar no canto, na dança, no público, no texto, na sensualidade da personagem... enumera Ísis, sem demonstrar cansaço por ter comandado a massa durante todo o dia. 

Às 8h45m, com o corpo purpurinado e um figurino sexy, Isis já estava preparada para começar o trabalho. “Aí, galera, vamos cantar comigo bem bonito. Simbora, meu povo. Nossa gravação vai ficar massa”, pedia, com sotaque baiano, aos 500 figurantes presentes. Boa parte deles usava os abadás amarelos com a letra S, de Sereia, confeccionados especialmente para a ocasião. 

Circuito tradicional do carnaval de rua baiano, a Praça Castro Alves foi interditada durante três dias para as gravações da sequência da morte de Sereia. A protagonista da microssérie — adaptada do livro homônimo de Nelson Motta e escrita por George Moura, Patrícia Andrade e Sérgio Goldenberg — é assassinada em cima do trio numa terça-feira de carnaval. O crime choca a Bahia e leva o chefe da segurança particular da cantora, Augustão (Marcos Palmeira), a investigar o caso.

Desenvolta, Isis nem espera o começo das gravações e canta, a capela, os versos “Quando você se aproxima o meu corpo sente/ Os seus beijos são ardentes”, de “Deusa do amor”, do Olodum. Ao ser acompanhada pela figuração, emendava: “Olha, arrepiou”. 

Debaixo de sol e com a ajuda de uma base de playback, Isis cantava de verdade. Pulava, dançava e rodava como se estivesse “recebendo um santo”, de acordo com as instruções do diretor-geral da microssérie, José Luiz Villamarim. Com microfone em punho, ele comandava a equipe na gravação que recriou o carnaval baiano. 

Gravei cenas durante o carnaval deste ano, em cima do trio da Ivete e da Banda Eva, que serão inseridas na microssérie — explica o diretor-geral. 

O ponto alto da folia acontece quando Isis junta “Baianidade nagô” com a faixa composta para a sua personagem, “No ouvido da Sereia”. É durante a música, um chiclete, que a protagonista leva um tiro. 

Com 70% das cenas realizadas em Salvador, as gravações de “O canto da Sereia” seguem até dezembro. Boa parte do elenco, de 16 pessoas, emendou trabalhos. Palmeira e Fabio Lago, que vive o segurança Vavá de Zefa, fizeram “Cheias de charme”. Gabriel Braga Nunes, o Paulinho de Jesus, produtor musical, descobridor e ex-namorado de Sereia, estava em “Amor eterno amor”. 

De “Avenida Brasil”, vieram o diretor, Isis, Marcos Caruso (que faz o governador), Fabiula Nascimento (a mãe-de-santo Marina de Oxum) e Camila Morgado (a empresária de Sereia, Mara Moreira). 

Acabei a novela na sexta e, no sábado, estava preparando a composição para a microssérie — conta Camila, agora loura, com os cabelos mais curtos. — Fiquei insegura de emendar uma coisa na outra. Você acha que não terá um desligamento. Mas a Noêmia já está bem distante — diz.

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